segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Filme sem nome...

E a cidade então estranha

Foi ficando com cara de quintal

E as ruas bloqueadas a cada passo se abrem

Criam imagem

Surgem à mente

E o que era um espasmo, uma loucura

Uma doidice, como dizem meus pares

Torna-se um rumo, uma estória

E começa a ter o que se falar

As letrinhas pararam de aparecer

O começo do primeiro ato surge

Como manhã

Como avião pousando

Como pessoa acordando

E vocês vêm e conhecem

E apesar de nenhuma intimidade

É o início da relação

Que é um pano branco com imagens que se movimentam

É tudo muito fresco

Com sabor de prato novo

De surpresa

Que não se sabe nada

E nem se quer saber

Que venha logo o segundo ato desta estória

Que nos indique algum futuro

Qualquer futuro

E se comece, recomece

Mas tu sabes

Só tu sabes o que estás atrás

Que por mais que seja o escuro

O desconhecido

O desencontro que te espera na próxima esquina

És disso que estás atrás

Então que parem as letrinhas

E o título que não existe

E se comece o filme

E se comece a estória de verdade

terça-feira, 25 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Folha em branco

Quando eu comecei a desenhar

Não imaginei que seria assim

Construir uma vida

Com tantos planos na cabeça

Sempre surge a dúvida

E o embaraço

E o confronto

E achar que é preciso fazer tudo

Mas tudo o que está aqui?

Rabisco

Amasso o papel

Recomeço

E o que tenho?

Mil idéias

Pra onde?

Rabisco e amasso o papel

Deixo pendurado na parede

Continuo desenhando

E penduro na parede

E outra folha

De repente

Os rabiscos me mostram um caminho

A idéia?

Será?

É isso

Uma luz, uma epifania de novo!

E vou e volto

Desenho o céu todo

E recomeço

Os rabiscos pendurados na parede sempre me guiam

Pra tentar de novo

E eu tento com toda minha força

Com a folha em branco

Ali, nova na sua frente

Sem nada, imaculada

Eu posso fazer qualquer coisa

Qualquer

E eu só preciso de uma coisa

Além das minhas mil idéias

Só uma

Um lápis

domingo, 16 de agosto de 2009

Chegadas & Partidas

Nesse momento meio maluco que eu tou passando, de largar tudo e vir tentar viver em um local completamente novo, não me restou tempo nem cabeça para escrever alguma coisa. Minha amiga Ana Lídia me indicou para uma reportagem sobre o dia dos pais e eu aceitei a entrevista junto com o meu pai. A reportagem foi feita na sexta e publicada no sábado. Não tive tempo de ler a reportagem no papel, entrei no avião momento antes de lerem o jornal no aeroporto mesmo. Quando cheguei, li e fiquei bastante emocionado. Não era preciso escrever nada.

Publicada pelo Diário do Pará no dia 8/8/9 - Dia da minha viagem


Dia dos pais: distância superada pelo amor

O estádio está lotado. A arquibancada estremece com a torcida pelos times que jogam. Gritos e hinos são sintomas da paixão que move milhares de pessoas ao Mangueirão. E, em meio à euforia, o time faz um gol. Coração dispara e um abraço no parceiro ao lado sela a alegria de presenciar o gol. Para Victor Palheta, nada melhor que dar um abraço no amigo que sempre está presente nas vitórias do time e da vida, o pai, Clélio Palheta.

Os pais de Victor se separaram quando ele tinha menos de um ano, mas a distância não foi empecilho para que Clélio e o filho descobrissem o futebol e a música em comum. O pai é compositor e adora música brasileira, mas tem uma queda pelos rocks setencistas, que são os favoritos do filho. Noites regadas a Pink Floyd e Beatles já embalaram essa relação.

Clélio conta que a amizade com a mãe do filho foi muito importante para que o contato com Victor não sofresse abalos. “Eu sempre fui amigo dela e isso contribuiu para que a distância fosse minimizada”. Ele diz ter sentido receio do que seria seu relacionamento com Victor quando se separou da esposa.

Para participar dos passos do filho, Clélio ia buscar o garoto na creche. “De lá eu encostava nas praças para brincar com ele. Nós sempre fazíamos programações para não haver qualquer distanciamento entre nós”.

Clélio fala da infância do filho com certa saudade e diz que queria ter partilhado mais da vida dele, “até das tolices”. Mas, para ele, a separação não foi problema para que o amor e amizade com Victor se intensificassem.

Esse ano, Clélio não comemora o Dia dos Pais com o filho. É que ele segue para São Paulo, onde dará continuidade à profissão. O pai diz que não irá chorar, mas ficará emocionado. Clélio foi criado no antigo sistema de que homem não chora, mas se emociona. “Eu só quero que meu filho tenha muito sucesso”, fala.

Ele diz que essa distância não afetará a relação, cuja separação nunca foi um diferencial para que as conversas, as brincadeiras e os incontáveis almoços acontecessem nos finas de semana ou nas férias, quando pai e filho ganhavam a estrada rumo à praia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Duplissonhando...

Era começo de madrugada, na beira da praia, um cigarro aceso e as ondas que tocavam os pés descalços. Nos trejeitos, alguém que já tinha bebido alguma coisa o dia inteiro. A baforada e o olhar contemplativo pro céu que não se via estrelado há um bom tempo por conta da chuva naquela região.

Era uma noite bonita e bastante clara pela lua e pela ausência de luminosidade artificial próxima, que eram intercalados por faróis de automóveis indo e vindo e pelos locais de festa distantes daquele lugar.

Eu olhava pro céu como sempre gostava e há tempos não fazia. Ali, meio bêbado pelo dia todo, ouvi sem me assustar uma voz feminina chamar.

- Que sorriso estranho esse no seu rosto?

Olhei pra cima e a vi, a lua, sorrindo, bem grande, avermelhava o céu de tão intensa. Sorri com sorriso de mostrar os dentes, como se encontrasse alguém há muito querido.

- Quanto tempo não nos falamos?

- É verdade. Um longo período de silêncio e também que não te vejo por aí, desprendido. O que se passa?

- Ah, desprendimento é realmente algo que não está em mim agora. Só ando sonhando sobre meu futuro e tendo que me desfazer de coisas que nem sei como, só sei quando.

- Sonhando sobre o futuro? Interessante. Tem que ter algo de liberdade pra se fazer isso. Pelo visto já tens, o que falta fazer?

- Na verdade, nada. Há muito tempo, me sinto solto por dentro, não consigo me apegar a nada nem a ninguém, é bem verdade. Ando contando com desejos improváveis e sonhos nada reais...

- Sonhos nunca foram muito reais. Tu podes sem problema continuar com eles e viver sossegado.

- É verdade, mas eles têm me tomado tempo por demais. Até que certo ponto posso ficar assim, desejando e sonhando feito louco?

- Até achares que deves. Relaxa, baby.

- Ah, mas a ansiedade tá me devorando. O que vai acontecer depois? Será que posso esperar por isso? E quando chegar, e tudo aquilo que desejei, que sonhei repetidamente que ia acontecer, da mesma forma, com a mesma música, com as mesmas palavras... Os momentos, aqueles momentos, sabe? que te mudam por completo, estão vindo, estão chegando, estão logo ali, depois de virar a esquina. Mas...

- Mas?

- Será?

- Não se sabe. Nunca se sabe. Essas coisas são imprevisíveis. Mas tu já aprendeste como é que funciona tudo isso, não? E eu sei que não tens mais medo de ser sincero até contigo mesmo, o que é mais difícil. Vai fazer as coisas acontecerem e falar abertamente sobre, como tu sempre fizeste. Eu sei que vai.

- É que isso realmente me importa. O nervosismo e ansiedade aqui estão realmente ficando, me fazendo ficar louco, pensando, desejando.

- Deseje, deseje bem. Deseje com a alma, que isso vai te trazer mais pra próximo daquilo que tu és, e o que eu sempre vi. Nada de errado com agora, não. Mas eu sei como és, de verdade.

- Essas coisas se eu falo, ninguém me diz nada, somente tu. Ninguém sabe de ti aí longe e os poucos que conhecem a história realmente não se dão conta do que isso é pra mim, na verdade. Nem tu, acredito.

- Ah, mas sei sim. Apesar de tuas dúvidas e da maior parte do meu silêncio. Sabes que estarei bem aqui, nesse lugar e sabes como chegar até mim.

- Sei que sim. Sei que te verei em breve, ao dobrar a esquina. Posso chegar mais perto, sei sim. E essa é minha grande vontade, sempre foi. Mas fala pra ninguém, não! Já me acham meio maluco no normal, imagine se ficarem sabendo dessas coisas.

- Desejos e sonhos não são para ter vergonha de falar e nem esconder. Podes falar abertamente sobre isso, ainda melhor quando for de noite. As coisas ficam mais fáceis de acreditar. Tou dizendo.

- Ah, a noite. O que seria de mim sem ela? A manhã que me desculpe, mas prefiro a noite. Quando te conheci e quando sempre falo contigo. Por aí, perdido, sozinho no carro, no meio da rua, ou olhando as estrelas na beira de uma praia, não teria coisa que me deixe mais contente do que falar contigo. Talvez seja loucura, e até acredito que seja. Mas não vou deixar de sorrir desta forma aqui e nem de desejar te ver de novo e ficar pensando o que vou te dizer da próxima vez que nos falarmos.

- E quando vai ser?

- Não sei bem ao certo. Mas, logo. Bem em breve...

Sorri e apaguei o cigarro continuando sem saber do futuro, mas aquele sorriso da despedida não se via há tempos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Abra los ojos...

O que é mais fácil:

Esperar por alguém que não se conhece

Ou por alguém que já se ama?

Acordar todo o dia e pensar, pensar e pensar

E imaginar como seria?

Um rosto que se conhece

Ou que nunca se viu, que só imagina

Fazer planos malucos que só existem dentro da tua cabeça

De viagens loucas, paradisíacas, com happy-ends

Ou esperar o próximo encontro?

O que é mais difícil?

Acordar todo dia e lembrar onde é que está?

Ou imaginar que pode andar perto ou bem longe?

De rostos que mudam a cada semana, a cada noite

E que vêm com intensidade de tempestade

E vão como a água que escorre pelas ruas

E dez meses se passam e o que é mais fácil?

Sair por aí, procurando

Ou esperar?

Sabe-se lá como

Mas muito bem o porquê

Que mesmo o mais louco dos racionais

Ao se confrontar com a dúvida, dirá

Sim, te espero!


(Para Marcel & Gabi)