Em meio às notícias sobre campanha políticas, pesquisas, informações e jogos sujos que ronda o país neste momento de definição do nosso futuro. Em meio aos problemas do dia a dia e de transformações que vão acontecendo principalmente nos últimos anos em minha vida. Em meio a dias cheios de trabalho e responsabilidades novas que vão ganhando corpo a cada passo rumo à conquistas e sonhos que almejei para mim mesmo. De vez em quando há momentos em que se para, respira e se reflete sobre tudo isso que se está vivendo.
Uma das coisas que mais me chama atenção são minhas próprias palavras postadas no meu blog há mais de dois anos. Ler aquilo e ver como o que imaginei o que aconteceria, como estou hoje e como acho que estarei daqui a algum tempo. Tudo vem me acompanhando nesses dias ora frios ora quentes, nessas idas e vindas por São Paulo onde a cada instante uma história nova surge em minha cabeça, uma idéia nova, um novo plano pra realizar.
E o acaso me faz surpresas que deixei que acontecessem da maneira em que tiver que acontecer e em sua maioria tem me trazido coisas boas, experiências que por mais difíceis são parte do aprendizado, de cada passo que se dá rumo ao que chamamos de vida.
Hoje, no caminho de casa, já embarcando no metrô, recebo uma ligação/convite de minha amiga e irmã Bruna para fazermos alguma coisa, qualquer coisa, um lanche, um teatro, uma conversa, coisas que gosto muito de fazer com ela. Nesse pequeno intervalo de passos o meu dia mudou, e já vinha sendo bom, por sinal.
Depois de conversarmos sobre nós, depois de ler coisas sobre mães e como isso se constrói em cada nova etapa de nossas vidas, cordões umbilicais rompidos, responsabilidades como filhos que somos e como fomos preparados para enfrentar cada situação que nos apresenta à frente e lidar com elas.
Em meio a tudo isso, o acaso nos levou a uma sala de cinema em busca de alguma história que pudesse nos divertir, acalentar e fazer sentir bem. Em cartaz, o filme Léo e Bia de Oswaldo Montenegro que por motivos pessoais escolhi para que víssemos e falar sobre depois com pessoas importantes.
A grata surpresa então se apresenta de maneira sublime, tocante, emocionante e que nos tomou em cheio por tudo aquilo que havíamos dito momentos antes de entrar naquela sala. O filme, nem é um filme como um cinema tradicional, parece-se mais como um teatro travestido de cinema, inspirado claramente em obras de Lars Von Trier, onde o espaço habitado não é necessariamente visto por nós, mas sentido. E o filme nos fez justamente sentir tudo aquilo que estamos passando, como a relação mãe/filha de cumplicidade, de insegurança, de amor que pode ser chamado por muitas outras coisas, e até em sua maioria adjetivos pejorativos, mas ainda assim amor. E a liberdade que se busca e a luta por seu sonho, por seguir atrás disso até de modo ingênuo. A cada palavra dita, a cada música cantada, aquilo ressoava como se pudesse fazer sentido naqueles que estavam lá, assistindo uma história que ocorreu décadas antes, num contexto completamente diferente do nosso dia a dia, em um mundo onde se acreditava em utopias.
Mas a história se passava como se estivéssemos à beira do mar, e cada onda que molhava nossos pés era como se também os lavasse e criava uma re-significação impressionante. O momento do filme era outro, o contexto do filme era outro, mas toca porque é ainda vivido por aqueles que têm sonhos e que buscam um vôo atrás deles. Os medos, anseios e as limitações estão todas lá, ainda são as mesmas, por mais que os jovens de hoje sejam bem mais velhos do que aqueles representados na história. E o desejo e a cumplicidade entre eles tornam tudo mais real para nós, que não fizemos parte daquela geração.
O filme termina com uma sensação de catarse e anestesia por ter sido tão surpreendente em quanto forma de arte, daqueles que se fica pensando um bom tempo com os créditos surgindo na tela e a sensação que não gostaríamos de abandonar aquela história que nos foi mostrada.
Na volta pra casa um silêncio cúmplice mas que demonstrava o que nos é querido, desejado, sonhado por uma geração de garotos ingênuos que resolvem sair do ninho para buscar a vida e o mundo. A certeza que ainda existe o sonho e a vontade, e que isso é o primeiro passo para se alcançá-los.
Quando Oswaldo Montenegro nos cantou: Como castelos nascem dos sonhos/Pra no real achar seu lugar/Como se faz com todo o cuidado a pipa que precisa voar/cuidar de amor exige maestria. E Léo, Bia, Maria Luiza e Stela souberam amar.
Para: Bia, Maria Luiza, Bruna e Stela.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Como se faz com todo o cuidado a pipa que precisa voar
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O lobo e a lua
E meio à descida da rua, ela me acompanhava me fitando, como há muito tempo não fazia.
Eu dei aquele olhar de reencontro, de surpresa boa que aconteceu.
Na chegada em casa, o ranger do portão despertou o latido que vinha do quintal.
Entrei, em meio ao escuro, sendo recebido carinhosamente em casa pelos cachorros.
E eu só olhando pra cima, interessado em algo bem distante.
Sentei no banco com um cigarro na mão, na outra, os cães que insistiam em trocar afagos.
Mal podendo conter o sorriso bobo do nosso reencontro, eu só prestava atenção para o céu.
Dessa vez o silêncio durou bastante.
Fiquei olhando os cachorros como me perguntando se eles não estavam notando sua presença.
Um deles pôs as patas sobre minhas coxas e me olhou como eu olhava pra lua.
Ficamos nos observando como se esperasse alguma conversa.
Acariciei suas orelhas e perguntei:
- Por que vocês não olham mais pra lua?
- Eles foram domesticados, ela me respondeu.
Feliz com a quebra do silêncio, voltei a fitá-la
- Bom te ver de novo.
- Poisé, muito tempo, estás diferente.
- Eu sei, tenho me sentido assim mesmo, desde a última vez que nos vimos, na beira da praia, lembra?
- Claro que sim, como poderia não lembrar?
- Andei meio recluso, quieto, é verdade. Tentando me encontrar, me situar em algum lugar.
- Tenho percebido, mesmo. Mas essa inquietação toda tem motivo?
- Tem sim, deve ser a falta de lugar, meu lugar, que ainda não achei. Agora tenho me sentido meio como você, assim, em órbita de alguma coisa, só não sei o que.
- Mas eu tenho o meu lugar, é aqui em cima. Eu nunca saio de perto de vocês. Alguns dizem que aos poucos sim, mas é bem pouquinho mesmo.
- É verdade. Mas tenho tentado me sentir como um camelo atravessando um deserto. Paciência é a chave.
- É, tenho certeza que sim. Faz parte do teu novo caminho. Lembra de quantos caminhos um homem tem que caminhar antes de ser chamado homem, não?
- Lembro sim. O problema não são os caminhos. Mas por vezes me sinto um lobo em meio aos cachorros, domesticados, correndo atrás dos próprios rabos.
- Mas sabes o que te diferencia deles, então?
- Sei sim. Eu sempre olho pra ti.
- É muito fácil cair na armadilha de ser domesticado e estar perto de afago e comida. Mas tudo isso tem um preço, sabes disso. Enquanto uivares para a Lua, vais te lembrar do que és e do que queres.
Concordei com a cabeça e olhei os cães ao meu redor.
Por que vocês não olham mais pra lua? Perguntei de novo.
Me levantei e servi um pouco de comida pra eles.
Eles foram correndo felizes em direção aos seus comedouros.
E eu, desapontado, olhei pra lua e dei de ombros.
Ela piscou pra mim como se dissesse “vai ser sempre assim”
Respirei fundo e fechei os olhos, como se sentisse a luz da lua em meu rosto, como só os loucos e os lobos fazem.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Distante navegante...
Em suspensão. É como tudo tem andado. Em suspensão. Talvez seja parte da travessia que tudo não pareça seguro nem estável, mas algumas coisas têm acontecido e me transformado de tal forma que uma mudança de alguns meses me parecem séculos.
É como se eu não tivesse tempo mais de me estabelecer e definir quem sou eu. Tudo está uma constante transformação, e eu não consigo mais me imaginar como estarei daqui a alguns meses. Em suspensão, esperando as coisas acontecerem e triturarem seus planos. Mas como isso pode ser uma coisa boa?
Recentemente me senti em meio a dois sentimentos de volta. A dois lugares aos quais pertenço agora, foi uma mistura louca e completamente conflitante. Não me senti pertencendo a nada, nem ninguém e isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Não é uma coisa que me definha, pelo contrário, acho que eu mesmo estou atrás disso. Até quando isso vai ou onde vai parar? Faço a menor idéia, e sinceramente, não quero mesmo saber. Vamos ao sabor do vento e ver o que acontece.
Conhecer esses limites dá a dimensão certa do que eu quero e posso esperar o que aconteça e daqui pra adiante vai me alimentar a curiosidade de saber o que realmente me aguarda.
Por enquanto, o que faz feliz é ver a tempestade chegando a guinar em direção a ela. Outros se assustam, mas eu tou chamando isso de viver.
E que caia a água da chuva e leve junto algumas lágrimas e sujeiras incrustadas no barco pra ir de novo depois.
Deixe-me ir, preciso andar...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
A estória de Yo La Tango
E então, tudo mudou de novo
Os novos planos se tornaram velhos
Os velhos se ajeitaram de novo
E agora tem muita estória pela frente
E como toda estória, tem trilha sonora
A minha estória de São Paulo começa assim:
Umas imagens desfocadas de alguém caminhando com uma mala, bem de manhã
O sol criando força no horizonte e mostrando a cara
E que continua vindo até ao olharmos para ele, a nossa visão branqueia
E da janela do avião eu vejo aquela mata ficar cada vez menor
E a música que rola ao fundo é essa:
We stared at the sun, too long
until the shapes before our eyes
turned into the sun, in our eyes
We lied to ourselves for awhile
in our usual style
I wish we could ride
To ourselves again
"E nós tentamos, tentamos com toda a nossa força
Nós botamos o teatro abaixo
Corremos apressado o nosso caminho
Demos tão duro!"
Sem dúvida, Mr. Ira
Você sabe por que?
Sabe quando se anda assim
Olhando pra cima, devagar
Imaginado coisas, infinitas
E te passa muita idéia pela cabeça
Muita mesmo
Parece que tás sonhando e os sonhos se projetam nas nuvens
Por trás dos prédios, como filme
Aquela imagem monocromática se mexendo
Até que alguém te esbarra porque você não tava prestando atenção na rua
Coisas meio sem razão
Mas vai saber
Nessa fração de segundo tudo mudou na sua vida
Novos planos, novos finais de novela
Novas mulheres
Por alguns segundos
E a realidade que te insiste em puxar o tapete
Da buzina do carro da rua meio atravessada
Ah, o acaso que me assusta
Ou minha cabeça
Mas não adianta que ela não pára nunca
Por mais que eu pare, que deite
Ela continuar a me levar nos lugares mais improváveis, inóspitos, curiosos,
Ao lado de pessoas que piscaram “entrar online”
Sou levado aos momentos mais insanos
Eu, com um guarda-chuva e a cara pintada
E o canhão de luz que revela o cantor
Eu
E a banda atrás, e as imagens projetadas em pedaços de panos rasgados
Criando um calendoscópio de imagens de chuva, de noite, da lua
Ao mesmo tempo em que a subida me toma todo o ar de dentro
E me faz suar, mesmo que o tempo peça casaco
Realidade e imaginação que se entrelaçam como se fosse rede
E eu, em meio a tudo isso, continuo passando, tentando e acordando
E querendo dormir, sonhando com o palco, com a vida planejada
E ainda no mundo das idéias
E tenho estado por lá
Junto com Judy e seus sonhos
Ou com o suspiro dos anjos
Pode ser que eu esteja mesmo assim
Indo bem ali e já volto
Ou pode ser que eu fique por aqui
Vai saber
Mas eu escolhi
Eu quis estar aqui
E sim, vou continuar seguindo
Sonhando bastante
Porque tenho muito o que sonhar ainda
Já te disse que a minha vida é papel em branco, já não?
Você sabe porque eu estou aqui, não?
Sim,
Eu sei que você sabe o porquê.
sábado, 3 de outubro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Filme sem nome...
E a cidade então estranha
Foi ficando com cara de quintal
E as ruas bloqueadas a cada passo se abrem
Criam imagem
Surgem à mente
E o que era um espasmo, uma loucura
Uma doidice, como dizem meus pares
Torna-se um rumo, uma estória
E começa a ter o que se falar
As letrinhas pararam de aparecer
O começo do primeiro ato surge
Como manhã
Como avião pousando
Como pessoa acordando
E vocês vêm e conhecem
E apesar de nenhuma intimidade
É o início da relação
Que é um pano branco com imagens que se movimentam
É tudo muito fresco
Com sabor de prato novo
De surpresa
Que não se sabe nada
E nem se quer saber
Que venha logo o segundo ato desta estória
Que nos indique algum futuro
Qualquer futuro
E se comece, recomece
Mas tu sabes
Só tu sabes o que estás atrás
Que por mais que seja o escuro
O desconhecido
O desencontro que te espera na próxima esquina
És disso que estás atrás
Então que parem as letrinhas
E o título que não existe
E se comece o filme
E se comece a estória de verdade
terça-feira, 25 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Folha em branco
Quando eu comecei a desenhar
Não imaginei que seria assim
Construir uma vida
Com tantos planos na cabeça
Sempre surge a dúvida
E o embaraço
E o confronto
E achar que é preciso fazer tudo
Mas tudo o que está aqui?
Rabisco
Amasso o papel
Recomeço
E o que tenho?
Mil idéias
Pra onde?
Rabisco e amasso o papel
Deixo pendurado na parede
Continuo desenhando
E penduro na parede
E outra folha
De repente
Os rabiscos me mostram um caminho
A idéia?
Será?
É isso
Uma luz, uma epifania de novo!
E vou e volto
Desenho o céu todo
E recomeço
Os rabiscos pendurados na parede sempre me guiam
Pra tentar de novo
E eu tento com toda minha força
Com a folha em branco
Ali, nova na sua frente
Sem nada, imaculada
Eu posso fazer qualquer coisa
Qualquer
E eu só preciso de uma coisa
Além das minhas mil idéias
Só uma
Um lápis
domingo, 16 de agosto de 2009
Chegadas & Partidas
Nesse momento meio maluco que eu tou passando, de largar tudo e vir tentar viver em um local completamente novo, não me restou tempo nem cabeça para escrever alguma coisa. Minha amiga Ana Lídia me indicou para uma reportagem sobre o dia dos pais e eu aceitei a entrevista junto com o meu pai. A reportagem foi feita na sexta e publicada no sábado. Não tive tempo de ler a reportagem no papel, entrei no avião momento antes de lerem o jornal no aeroporto mesmo. Quando cheguei, li e fiquei bastante emocionado. Não era preciso escrever nada.
Publicada pelo Diário do Pará no dia 8/8/9 - Dia da minha viagem
Dia dos pais: distância superada pelo amor
O estádio está lotado. A arquibancada estremece com a torcida pelos times que jogam. Gritos e hinos são sintomas da paixão que move milhares de pessoas ao Mangueirão. E, em meio à euforia, o time faz um gol. Coração dispara e um abraço no parceiro ao lado sela a alegria de presenciar o gol. Para Victor Palheta, nada melhor que dar um abraço no amigo que sempre está presente nas vitórias do time e da vida, o pai, Clélio Palheta.
Os pais de Victor se separaram quando ele tinha menos de um ano, mas a distância não foi empecilho para que Clélio e o filho descobrissem o futebol e a música em comum. O pai é compositor e adora música brasileira, mas tem uma queda pelos rocks setencistas, que são os favoritos do filho. Noites regadas a Pink Floyd e Beatles já embalaram essa relação.
Clélio conta que a amizade com a mãe do filho foi muito importante para que o contato com Victor não sofresse abalos. “Eu sempre fui amigo dela e isso contribuiu para que a distância fosse minimizada”. Ele diz ter sentido receio do que seria seu relacionamento com Victor quando se separou da esposa.
Para participar dos passos do filho, Clélio ia buscar o garoto na creche. “De lá eu encostava nas praças para brincar com ele. Nós sempre fazíamos programações para não haver qualquer distanciamento entre nós”.
Clélio fala da infância do filho com certa saudade e diz que queria ter partilhado mais da vida dele, “até das tolices”. Mas, para ele, a separação não foi problema para que o amor e amizade com Victor se intensificassem.
Esse ano, Clélio não comemora o Dia dos Pais com o filho. É que ele segue para São Paulo, onde dará continuidade à profissão. O pai diz que não irá chorar, mas ficará emocionado. Clélio foi criado no antigo sistema de que homem não chora, mas se emociona. “Eu só quero que meu filho tenha muito sucesso”, fala.
Ele diz que essa distância não afetará a relação, cuja separação nunca foi um diferencial para que as conversas, as brincadeiras e os incontáveis almoços acontecessem nos finas de semana ou nas férias, quando pai e filho ganhavam a estrada rumo à praia.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Duplissonhando...
Era começo de madrugada, na beira da praia, um cigarro aceso e as ondas que tocavam os pés descalços. Nos trejeitos, alguém que já tinha bebido alguma coisa o dia inteiro. A baforada e o olhar contemplativo pro céu que não se via estrelado há um bom tempo por conta da chuva naquela região.
Era uma noite bonita e bastante clara pela lua e pela ausência de luminosidade artificial próxima, que eram intercalados por faróis de automóveis indo e vindo e pelos locais de festa distantes daquele lugar.
Eu olhava pro céu como sempre gostava e há tempos não fazia. Ali, meio bêbado pelo dia todo, ouvi sem me assustar uma voz feminina chamar.
- Que sorriso estranho esse no seu rosto?
Olhei pra cima e a vi, a lua, sorrindo, bem grande, avermelhava o céu de tão intensa. Sorri com sorriso de mostrar os dentes, como se encontrasse alguém há muito querido.
- Quanto tempo não nos falamos?
- É verdade. Um longo período de silêncio e também que não te vejo por aí, desprendido. O que se passa?
- Ah, desprendimento é realmente algo que não está em mim agora. Só ando sonhando sobre meu futuro e tendo que me desfazer de coisas que nem sei como, só sei quando.
- Sonhando sobre o futuro? Interessante. Tem que ter algo de liberdade pra se fazer isso. Pelo visto já tens, o que falta fazer?
- Na verdade, nada. Há muito tempo, me sinto solto por dentro, não consigo me apegar a nada nem a ninguém, é bem verdade. Ando contando com desejos improváveis e sonhos nada reais...
- Sonhos nunca foram muito reais. Tu podes sem problema continuar com eles e viver sossegado.
- É verdade, mas eles têm me tomado tempo por demais. Até que certo ponto posso ficar assim, desejando e sonhando feito louco?
- Até achares que deves. Relaxa, baby.
- Ah, mas a ansiedade tá me devorando. O que vai acontecer depois? Será que posso esperar por isso? E quando chegar, e tudo aquilo que desejei, que sonhei repetidamente que ia acontecer, da mesma forma, com a mesma música, com as mesmas palavras... Os momentos, aqueles momentos, sabe? que te mudam por completo, estão vindo, estão chegando, estão logo ali, depois de virar a esquina. Mas...
- Mas?
- Será?
- Não se sabe. Nunca se sabe. Essas coisas são imprevisíveis. Mas tu já aprendeste como é que funciona tudo isso, não? E eu sei que não tens mais medo de ser sincero até contigo mesmo, o que é mais difícil. Vai fazer as coisas acontecerem e falar abertamente sobre, como tu sempre fizeste. Eu sei que vai.
- É que isso realmente me importa. O nervosismo e ansiedade aqui estão realmente ficando, me fazendo ficar louco, pensando, desejando.
- Deseje, deseje bem. Deseje com a alma, que isso vai te trazer mais pra próximo daquilo que tu és, e o que eu sempre vi. Nada de errado com agora, não. Mas eu sei como és, de verdade.
- Essas coisas se eu falo, ninguém me diz nada, somente tu. Ninguém sabe de ti aí longe e os poucos que conhecem a história realmente não se dão conta do que isso é pra mim, na verdade. Nem tu, acredito.
- Ah, mas sei sim. Apesar de tuas dúvidas e da maior parte do meu silêncio. Sabes que estarei bem aqui, nesse lugar e sabes como chegar até mim.
- Sei que sim. Sei que te verei em breve, ao dobrar a esquina. Posso chegar mais perto, sei sim. E essa é minha grande vontade, sempre foi. Mas fala pra ninguém, não! Já me acham meio maluco no normal, imagine se ficarem sabendo dessas coisas.
- Desejos e sonhos não são para ter vergonha de falar e nem esconder. Podes falar abertamente sobre isso, ainda melhor quando for de noite. As coisas ficam mais fáceis de acreditar. Tou dizendo.
- Ah, a noite. O que seria de mim sem ela? A manhã que me desculpe, mas prefiro a noite. Quando te conheci e quando sempre falo contigo. Por aí, perdido, sozinho no carro, no meio da rua, ou olhando as estrelas na beira de uma praia, não teria coisa que me deixe mais contente do que falar contigo. Talvez seja loucura, e até acredito que seja. Mas não vou deixar de sorrir desta forma aqui e nem de desejar te ver de novo e ficar pensando o que vou te dizer da próxima vez que nos falarmos.
- E quando vai ser?
- Não sei bem ao certo. Mas, logo. Bem em breve...
Sorri e apaguei o cigarro continuando sem saber do futuro, mas aquele sorriso da despedida não se via há tempos.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Abra los ojos...
O que é mais fácil:
Esperar por alguém que não se conhece
Ou por alguém que já se ama?
Acordar todo o dia e pensar, pensar e pensar
E imaginar como seria?
Um rosto que se conhece
Ou que nunca se viu, que só imagina
Fazer planos malucos que só existem dentro da tua cabeça
De viagens loucas, paradisíacas, com happy-ends
Ou esperar o próximo encontro?
O que é mais difícil?
Acordar todo dia e lembrar onde é que está?
Ou imaginar que pode andar perto ou bem longe?
De rostos que mudam a cada semana, a cada noite
E que vêm com intensidade de tempestade
E vão como a água que escorre pelas ruas
E dez meses se passam e o que é mais fácil?
Sair por aí, procurando
Ou esperar?
Sabe-se lá como
Mas muito bem o porquê
Que mesmo o mais louco dos racionais
Ao se confrontar com a dúvida, dirá
Sim, te espero!
(Para Marcel & Gabi)
terça-feira, 12 de maio de 2009
O medo do astronauta
Imagino o sentimento de navegadores há mais de 500 anos
Partindo em viagens cujo destino era tão somente o desconhecido
Qual sentimento?
Deveria ser um misto de medo com curiosidade de criança
Aquela que mete o dedo na tomada
Descobrindo e aprendendo
O frio na barriga que dá
A ansiedade
Como a fila de uma montanha-russa
Você pode até imaginar o que pode acontecer
Mas nunca se prevê o que se sente
Medo
Mas medo é bom
Como o último passo antes de pular do trampolim
E mesmo assim pula
E pega choque
E descobre um mundo completamente novo
Com pessoas novas
E assim se cresce
E se conhece
Um universo inteiro
Mas que tá tudo aqui dentro mesmo
Houston já começou a contar
Agora é só respirar fundo
E ir
terça-feira, 14 de abril de 2009
Sei o caminho dos barcos... O outro lado
Motion Picture Soundtrack - Radiohead

Imagem surrupiada de Chico cavalcante
Nessa vida, somos como barcos
E como barcos, sempre precisamos navegar
Fomos feitos para isso
Chega um dia em que o laço é desfeito no porto
E temos que sair por aí
Cortando rios calmos, como se tivessem sido passados à ferro
Atravessando mares e oceanos
Por vezes agitados, cheio de ondas gigantes
Correntes fortes e escuridão
Mas mesmo em dia de Lua Nova
Que não se enxerga um palmo à sua frente
Dá pra continuar a trilhar seu caminho e chegar ao lugar que se quer
Porque dá pra ver lá de longe a luz da cidade grande
Rasgando o céu limitado por mato e firmamento
Iluminado de uma cor laranja-aurora
E é só seguir o rumo do rio
Sei que sou um barco porque sou amazônida
E preciso sempre estar próximo a um rio pra me sentir bem
Me sentir perto da minha terra, aliás da minha água que é a Amazônia
Mas eu sei que sou barco porque preciso de rio
E sei que o rio que tem em minha cidade é que vai me levar por aí
E que vai dar no mar
Que vai me levar a onde for possível ir
E principalmente, onde for querido ir
E posso, porque sou barco, não sou canoa
E o mesmo rio que me leva
Vai ser o rio que sempre vai me trazer
De volta ao meu porto
segunda-feira, 30 de março de 2009
1 ano de blog
Amanhã fará um ano desde que eu postei a primeira mensagem aqui no blog. Confesso que não era muito fã dessas coisas até que tomei gosto por mostrar pras pessoas aquilo que eu escrevia.
Antes era raro alguém ler alguma coisa minha, mesmo os mais próximos e agora já falo abertamente sobre muita coisa do que penso, o que é uma evolução, então ponto para o blog.
Vou procurar fazer algumas mudanças temáticas, por vezes acho isso aqui muito obscuro e deprê, mas ninguém consegue ser qualquer coisa o tempo inteiro. Então vou mesclar com outros temas, coisa mais light e não vai ficar restrito só a texto.
No mais, gostaria de agradecer ao feedback que tenho recebido daqueles que visitam o blog frequentemente e ajudou bastante a dar continuidade a um projeto que começou por muito acaso e agora me faz pensar bastante sobre.
É isto, fiquem à vontade e até breve.
Beijos a todos.
Ingressos guardados
Todo e qualquer objeto tem por trás um pensamento
Uma idéia
Todo e qualquer objeto teve uma idéia antes
Alguém pensou como fazê-lo
Alguém imputou algum significado
Significado que ao chegar em mãos de outro
Já se transformou em algo completamente diferente
Em relacionamento e lembranças
Em história
Como objetos pertencentes a um povo que já não existe
E que é a única coisa que nos conecta a ele
E assim podemos conhecer sua vida
Seus costumes e sua cultura
E aprender com isso
E se sentir parte
E traduzir isso pra o que somos hoje
Objetos falam
Como os ingressos que guardo
Um em especial entrou pra coleção
E um pequeno pedaço de papel
Que me transporta pra longe
O seu objeto é tão somente eu
E minha história
Uma história de pelo menos onze anos
Cheia de percursos e percalços
Mas uma vida feliz
Exatamente feliz
Me traz recordações de amigos que conheci durante esse tempo
De amigos que conheci no mesmo tempo
Os mesmos que estavam ao meu lado
E sempre caminharam juntos
Tenho tido essa epifania desde então
E desde que ouvi uma única música
Há 11 anos pela primeira vez
E domingo passado pela última vez
E os amigos estavam ao meu lado
Não, não foi só a emoção de um fã
Foi a emoção de uma época da minha vida que estava ali
Ao meu lado
E que vou carregar comigo aconteça o que acontecer
Esteja aqui ou num barco cruzando o pacífico
Tudo isso nunca será esquecido
Mas sempre será lembrado quando olhar
Para um simples pedaço de papel
quarta-feira, 25 de março de 2009
Just A Thought
Então, meu bem
Engraçado como essas coisas são
Faz alguns dias que eu estou em silêncio
Pensativo e avoado
Digerindo, digerindo e digerindo
Tentando entender o que que me houve
Mas não vêm palavras
Só luzes, sons
E cores! Muitas cores!
Parecia que eu tinha caído num rio
Cheio de gente
E no fundo tinha uma pirâmide luminosa
Que hipnotizava e me sugava
Eu tava indefeso, inquieto e nervoso
Mas não conseguia me mexer
Deixei levar, mas gritava que nem louco
Claro que minha voz não saía
Era abafada por tudo
E sons malucos dentro da minha cabeça
Me deixavam mais desnorteado ainda
Segui afundando
E comecei a notar que tinham pessoas ao meu lado
Pessoas que não via há anos, desde a infância até hoje
E outras que nem conhecia, mas que sentia certa familiaridade
Como se soubesse que iriam entrar na minha vida
Meu passado e meu futuro?
Sei lá
Mas todos meus amigos estavam lá
E deixei de me sentir sozinho
Abracei a todos e eu estava molhado
Completamente encharcado
Mas feliz por estar ali
Então as luzes se intensificaram
Vinham direto em minha direção
Eram luzes fortes, vermelhas, azuis e verdes
Quase me cegavam
E me atraíam
O som ensurdecedor
Melancólico, insano e repetitivo
Me enlouquecia
Eu não conseguia pensar em nada
E fui me aproximando de tudo aquilo
E vi dois olhos esquisitos, gigantes
Me olhavam e me deixavam perturbado
Me atraíam para uma parte escura
Só conseguia perceber alguns peixes estranhos
Nadando e fugindo de vermes querendo devorá-los
E os vermes vieram atrás de mim
Eu continuei nadando
Senti que os vermes me queriam
E o que eu tinha?
Uma arma e um pacote de sanduíches
E mais nada!
E mais nada!
Vocês me querem?
Então venham me encontrar!
Eu tou pronto!
E as luzes se tornaram brancas
E mais intensas
O som mais distorcido e frenético
Que porra eu tou fazendo aqui?
E as luzes apagaram
O som calou
Eu cheguei no fundo e escapei
E não havia o que temer nem o que desconfiar
