segunda-feira, 31 de março de 2008

Manifesto

Homem, um ser que pensa e ama.

Pensa e sabe onde pertence. Pertencer não é estar, é fazer parte, caber, ser próprio. E onde eu pertenço, a que pertenço? Meus valores, meu lugar, meus óculos criam em mim um retrato de quem sou e o que quero.

Eu pertenço a um povo que diante do inesperado e estranho ser que lhe surgia à frente, assustava-se e admirava uma realidade que nunca era lhe vista. Sem saber dos desejos daquele visitante, pôs-se a ajudar, a ensinar e não viu quando o que aqueles homens brancos com trovões em suas mãos queriam era lhe dizer que sua vida, seu modo, seu lugar, estavam errados. Que deveriam se curvar e obedecer a um outro ser, o homem, individual no lugar do povo.

Sem entender e sem adaptar-se, lutou e morreu, e ainda morre até hoje por não entender o seu papel na história, por não entender que aqueles homens que vivem de acumular coisas já não conseguem mais acumular tudo o que queriam, porque o mundo não agüenta mais.

Mas eu também pertenço a um mundo que já estava criado, onde colonizadores e colonizados se misturaram incessantemente e de tanto o fazerem tornaram-se iguais, irmãos e pertencentes a uma vida comum, de desejos comuns, de histórias comuns. Deste mundo eu poderia fazer parte, caber, ser próprio de, mas não consigo me imaginar sem estes genes e este sangue correndo dentro de mim.

Não posso mais voltar atrás, não pertenço mais aquele lugar, aqueles costumes, aquele modo de vida, mas sou diferente do não-lugar que aqui existe e é o que me faz beber daquela água, é o que me faz olhar, com meus olhos de hoje pra um passado e entender meu lugar neste mundo.

Eu sou um índio, de plástico, de borracha, que habita esse mundo como outro ser em outro lugar, mas ainda sim, filho desta floresta.

Sou marajoara, cabano, pós-moderno. Não são apenas meus atos, meus gostos e meu jeito que me norteiam, mas o meu pertencimento a este lugar, a esta história.

E você, pertence a quê?

3 comentários:

Fernando disse...

...não somos amazônidas, somos macacos malasianos emborrachados, manufaturados por chineses, pintados com tinta de chumbo coreana dentro de uma lógica fordista e alimentados com sementes de seringueira contrabandeadas por henry wickham para o jardim botânico real de Kew...

Milena Marília disse...

belém-pará-brasil;
luz-imagem-fotografia;
letras-palavras-língua portuguesa;
eu-irmã-pais;
-deus?-

Gelo disse...

Bora leããão!!!