segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aquele Cara

Para Clélio

Encontrei aquele cara numa estrada da vida há uns 30 anos
Lá pela Bahia ou perdido pelo Rio de Janeiro, não lembro
Cabelo “Black-power”, bigode e fita no pulso
Camiseta branca, chinelo de dedo e uma calça jeans surrada
Não era bonito, mas era muito bacana
Muito mesmo
Aquele cara e eu seríamos melhores amigos se há trinta anos eu existisse
Tenho certeza
E mesmo sem existir, eu gostava da companhia
Conversávamos como dois velhos conhecidos
Contando histórias e não escondendo nada
Sem medo, sabe?
Um amigo mais velho
E já existindo eu passei a amá-lo
Mas como se ama um homem?
Pelo simples fato de ser homem?
Nunca me ensinaram
Mas o amor virou espelho
O caminho virou seta
As idéias viraram luz
A letra escrita mesmo longe
O amor que se construiu
Não por ser sentimento puro
Mas por ser mérito
Amor de admiração
Que por mais que paterno
É pelo que é
Não só pai
Mas homem
Não por agora
Sempre

4 comentários:

Maria Luiza disse...

Fico feliz de fazer parte dessa história sintetizada de forma tão rica. Parabéns ao pai e ao filho. Muito massa bicho....

Gabriela disse...

Ah... que lindo!!!
Adorei, pimbinha!!!

Mara disse...

Um luxo!

Allan Carvalho disse...

MORAL...

E quero saber quando pentearás os cabelos de nosso blog...

Abs,
Allan